Setembro Amarelo: uma campanha necessária
setembro 24, 2019
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20/11: O real significado da data e a importância da representatividade.

O Dia 20 de Novembro é considerado feriado nacional em algumas cidades do país por um motivo específico: o dia da Consciência Negra. A data foi instituída em 9 de Janeiro de 2003 pelo projeto de lei n° 10.639. Apesar disso, somente em 2011 a lei foi sancionada (Lei n° 12.516/2011) pela então presidente Dilma Rousseff. Sim, esse dia tão comum no calendário anual brasileiro é recente! 

A data foi escolhida  por coincidir com o dia atribuído a morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, um verdadeiro herói e líder negro do país que lutou pela libertação de seu povo contra o sistema escravista. (ao contrário de muita fake news e teoria doida por aí. risos)

 Desde então, o dia 20 de Novembro é marcado por manifestações políticas e culturais em todo território nacional. Comumente disfarçado pela mídia como ‘’celebração da igualdade’’, o dia 20/11 é na verdade uma data para se lembrar de uma vergonhosa verdade: um Brasil escravista que desde sua concepção menospreza e discrimina seu povo, sua própria história e cultura.

Ainda racista e com dados de genocídio alarmantes, o dia deve ser lembrado como um manifesto pelas vidas negras que diariamente sofrem até os dias atuais com as consequências de mais 300 anos de escravidão. As famosas frases clichês usadas em peças publicitárias devem ser abandonadas pois, para nós pessoas negras, elas não faz o menor sentido levando em consideração o real sentido do Dia da Consciência Negra: a resistência e memória de um povo! 

Com todo o contexto do dia 20/11, é importante que pessoas negras sejam ouvidas e tomem seus lugares de fala para abordarem temas que lhe pertencem. Afinal, de que vale dizer que tem consciência se você não dá ouvido a quem tem lugar de fala? E com o crescimento e popularização do acesso à informação gente para falar é o que não que falta. Muitos jovens dessa geração são atuantes dentro das temáticas étnicas e raciais. Seja na música, na filosofia, no YouTube, em revistas, na TV e rádio essas pessoas buscam informar a população de forma didática e simples sobre questões fundamentais da nossa realidade.

Sendo assim, separamos para vocês indicações de jovens adultos afro-brasileiros que tem feito diferença dentro do movimento contribuindo para o crescimento da  representatividade negra nas mais variadas camadas da mídia.

NATALY NÉRI

imagem: reprodução/internet

Nátaly Neri, cursa Ciências Sociais na Unifesp, em São Paulo, e criou o canal Afros e Afins no YouTube em 2015 para falar sobre assuntos como beleza negra e empoderamento feminino.

A produtora de conteúdo fala principalmente nas redes sociais sobre veganismo, espiritualidade e a utilização de produtos que possuem composição 100% natural, além de moda consciente.

Instagram: https://www.instagram.com/natalyneri/?hl=en

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCjivwB8MrrGCMlIuoSdkrQ

DJAMILA RIBEIRO

imagem: Luis Crispino/Revista Claudia

Mestra em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo, Djamila Taís Ribeiro dos Santos é acadêmica, feminista, pesquisadora e escritora. Nascida no litoral paulistano, a autora dos bem sucedidos ‘’O que é Lugar de Fala’’, ‘’Pequeno Manual Antirracista’’ e ‘’Quem tem Medo do Feminismo Negro’’ se tornou umas das mais importantes vozes atuais no combate ao racismo por conta de sua atuante presença dentro do feminismo negro e causas sociais. Escreveu o prefácio do livro Women, Race and Class da filósofa feminista negra Angela Davis para a tradução e a primeira edição em português do Brasil. Ribeiro colaborou com Davis em várias ocasiões.

Conheça sua obra: https://www.amazon.com.br/Livros-Djamila-Ribeiro/s?rh=n%3A6740748011%2Cp_27%3ADjamila+Ribeiro

IZA

imagem: Divulgação/Hering

Se você não esteve em sono profundo nos últimos dois anos você com certeza já ouviu falar de uma das mais incríveis vozes do R&B e Pop brasileiro. A cantora, compositora e apresentadora carioca fez um sucesso estrondoso em seu single ‘’Pesadão’’ com participação de Marcelo Falcão. Com letra forte e nuances de reggae, a música que aborda a temática do empoderamento negro em seu clipe rapidamente se espalhou nas rádios do país viralizando também nos streamings mundo afora. Indicada ao Gremmy Latino ainda no seu primeiro álbum ‘’Dona de Mim’’, a poderosa voz de Iza alcançou a bancada de técnicos do The Voice Brasil em 2019. Com uma das apresentações mais aclamadas do Rock in Rio deste ano, Iza sempre trás em seus clipes e músicas temas de empoderamento feminino, a força do povo afro-brasileiro com mensagens didáticas e otimistas que te fazem dançar na pista com uma mão no joelho e outra na consciência. 

Instagram: https://www.instagram.com/iza/

Videoclipes:https://www.youtube.com/channel/UCWmh948hhrAwDkOfkzNGAaQ

LUCI GONÇALVES

imagem: reprodução/instagram Luci Gonçalves

De transição capilar à realidade da mulher negra, periférica e bissexual. Luci é criadora de conteúdo na plataforma do Youtube e atualmente seu canal conta com mais de 270 mil inscritos. A Youtuber trás em seu canal conteúdos como: saúde mental, liberdade da mulher e seu corpo, make e claro umas diquinhas de culinária, porque é preciso estar bem alimentada na hora de militar. 

Vai aí um conselho: se eu fosse você eu correria pra conhecer esse mulherão e aproveitava pra aprender a receitinha de macarrão de brócolis ao molho de curry que é show. 

Instagram:https://www.instagram.com/lucigoncalvesa/

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCadCL-i9BRvu_AFHa7gt5Yg

MURILO ARAÚJO

imagem: reprodução/instagram Muro Pequeno

Criador do canal Muro Pequeno, no YouTube. Murilo é Jornalista, Mestre em Letras e doutorando em Linguística Aplicada, com pesquisa especializada na relação entre sexualidades e religiosidades no cristianismo. Também atua como pesquisador, palestrante e consultor em temas ligados a questões de raça, gênero, sexualidade, religião e diversidade.

Além de  embaixador global do YouTube no programa #CreatorsForChange, Murilo também recebeu o  “Prêmio Antonieta de Barros – Jovens Comunicadores Negros e Negras” oferecido pelo Ministério de Direitos Humanos do Governo Federal em 2016, que contemplou 50 projetos de comunicação realizados por jovens negros e negras do país. O seu canal, Muro Pequeno, foi um dos projetos premiados. 

Instagram: https://www.instagram.com/muropequeno/

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCnQvEAzKAnc5lz0h6qwPL-w

SPARTAKUS

imagem: reprosução/instagram Spartakus

Se você é uma pessoa bastante conectada, com certeza já esbarrou com esse rostinho ao navegar pela web. Spartakus Santiago é youtuber e publicitário formado em comunicação pela UFF, também conhecido na internet por fazer análises profundas da cultura pop e relacioná-las com política.

Com seu canal, busca aumentar o entendimento sobre questões importantes na internet como racismo e LGBTfobia. Negro, nordestino e LGBTQ, usa sua voz pra fazer a diferença e não é que tem feito? Seus vídeos viralizam constantemente nas redes mais utilizadas da atualidade e suas falas sempre tão bem embasadas e didáticas chegam a cada dia mais em diversos cantos do país. 

Instagram: https://www.instagram.com/spartakus/

YouTube: https://www.youtube.com/user/sparpotter

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Pelo visto gente f#$@ e com uma enorme bagagem de conteúdos extremamente necessários não vai faltar para você acompanhar. Temos total consciência que muita coisa ainda precisa mudar, mas que pouco a pouco o povo preto vai reconquistando não o que merece, mas o que é nosso por direito.  

Tem sido cada vez mais nítido a importância da representatividade em todos os meios para o amadurecimento saudável do povo negro, que ainda hoje carrega fardos pesados de uma história regada de dor e sofrimento. 

Não adianta falar sobre Dia da Consciência negra se você se cala ou reproduz discursos racistas tão presente em nosso dia a dia que se manifestam de diversas formas: um olhar, um cochicho, uma piada, um grito proferido “na hora da raiva”. É mais que necessário que pessoas brancas e negras discutam, reflitam e questionem-se sobre o que fazem para que a realidade seja diferente e não uma versão contemporânea de sinhás e senhores. Por isso, finalizo citando Djamila Ribeiro:

“No Brasil, até quem se coloca contra certas atitudes racistas não sabe ou finge não saber como o racismo age. Racismo é um sistema de opressão que vai além de ofensas, negando direitos” 

Portanto, seguimos resistindo! 

Autores: Clarice Gaspar & Ikaro Breny

Ikaro Breny
Ikaro Breny
Designer e Produtor de Conteúdo na Latitude19 Marketing Digital. Mineiro, 20 anos, iIustrador em construção, apaixonado por arte, tecnologia, cultura pop, música e aviação. Escrevo sobre temas diversos relacionados ao marketing digital e lifestyle com uma pitada de opinião e humor.

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